Watson no Garagem 12 de maio

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Na próxima terça-feira, 12 de maio, o Watson vai tocar no mais emblemático dos palcos de brasília. Além de fazer uma apresentação mais longa, com músicas antigas e até uma inédita, o show vai contar com projeções do VJ Luna, convidados especiais e amigos na organização e divulgação.

Chame o papai, a mamãe e a titia: teatro foi feito pra isso.

esperamos todo mundo lá!

abs,

Watsons

serviço:

Watson no Garagem
Terça-feira, dia 12 de maio, às 20h, no Teatro Garagem (Sesc 713/ 913 Sul). Projeções do VJ Luna (Desconstrução). Traga seu pen-drive/ ipod/ “qualquer coisa” para baixar as músicas da banda. Entrada: R$ 5. Informações: 9212-6387/ 8146-2233. www.myspace.com/bandawatson.

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sábado tem Watson e Disco Alto no gate`s

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DAEW

Não temos feito shows ultimamente. Estamos completamente focados no disco, que vai ser gravado em julho desse ano. Mas quando uma banda como o Disco Alto te chama pra abrir o show de lançamento de seu primeiro disco, fica difícil recusar. O que vamos fazer é muito simples: um set recheado de músicas antigas, algumas há muito tempo não executadas ao vivo. quem quiser cantar Bolero de novo, tem que ir nesse show!

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Watson e seudreher

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seudreher

Ano passado, após aquele show antológico do bois de gerião no uk pub (eleito, inclusive, um dos cinco melhores shows do ano pelo correio braziliense), saímos para “tomar uma cerveja” eu, Filipe,  Jack, Adriano e gustavo dreher, entre outros amigos. Naquela ocasião, eu já tinha ouvido algumas músicas do dreher na sua página da trama virtual. Nessa mesma noite, sugeri que o Watson se tornasse a banda de apoio desse novo projeto; “seu” dreher aceitou prontamente.

Já fizemos alguns ensaios, e ao que tudo indica, “seudreher e banda” devem estrear em abril, em data ainda a confirmar. para nós, é uma honra tocar essas músicas, tão psicodélicas e loucas, do jeito que a gente gosta. dêem uma ouvida (é só acessar o link acima)!

abs,

Miguel

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Watson na quarta, com Guigo na batera!

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Estamos voltando, depois de quase três meses sem fazer um show. Enquanto o jack ainda vai acertando os detalhes finais da sua recuperação, a gente chamou o Guigo (Capotones, Rockacola, Virgem Again e agora The Pro) para fazermos nosso último show do ano. Um show especial, com The Pro, Galinha Preta e Bois de Gerião*. Vai ser nessa quarta-feira, primeiro dia do festival Na Rota do Rock, no Uk pub (411 sul, bl. B), a partir das 21:30.  Todo mundo tem que ir!

abs,

Watson

* a banda Khalice teve de cancelar seu show, dando lugar ao Bois.

na rota do rock

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Brighten The Corners: Nicene Creedance Ed. sai em Dezembro, pela Matador

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brighten the corners

Existem bandas de um ou dois hits, bandas de um disco apenas e bandas de carreira. As primeiras costumam ser tão lucrativas quanto efêmeras; trabalham de olho no mercado e nas tendências do mesmo, procurando se alinhar com uma projeção forçada e momentânea do gosto popular. Entre as bandas e artistas de um disco apenas, podemos citar  Stone Roses e Jeff Buckley, que apesar da curta duração de suas carreiras, entraram para a história da música pop amparados no legado criado em torno de seus álbuns de estréia. A maioria das (boas) bandas, entretanto, são bandas de carreira: costumam aparecer com um primeiro álbum que não é lá uma obra-prima, mas que aponta para um caminho interessante; alternam discos de enorme sucesso com fiascos de venda e, às vezes, de crítica; alcançam o status necessário para negligenciar os rótulos atribuídos por imprensa e fãs; e costumam terminar antes de serem sepultadas, pois são as primeiras a reconhecerem a sua “caducagem”.

Em Dezembro, a Matador estará relançando o quarto álbum do Pavement, Brighten the corners: Nicene Creedence Ed., comemorando com um ano de atraso o decênio completado pelo álbum mais trabalhado e criativo da banda de Stockton. Como já é de praxe, o relançamento trará uma série de gravações inacabadas, versões bizarras e apresentações ao vivo, no mesmo modelo dos relançamentos anteriores de Slanted & Enchanted (Luxe & Reduxe ed.), Crooked rain, crooked rain (L.A’s Desert Origins ed.)  e Wowee Zowee (Sordid Sentinels ed.). O conteúdo anthology dessas novas edições é um atrativo a mais para os aficcionados em Stephen Malkmus e cia., mas parece ser menos importante que a disposição da Matador em consolidar o legado artístico de todos esses álbuns para as novas gerações. A gravadora sabe muito bem que o interesse por Pavement só faz crescer, principalmente fora dos EUA.

Esse interesse internacional por Pavement começou a se tornar mais forte em 1997, mesmo ano do lançamento de Brighten the corners. Na Inglaterra, o Blur lançava seu quinto álbum, e tanto Damon Albarn como Graham Coxon falavam abertamente da influência do novo rock americano em faixas como Beetlebum, Song 2, Country sad ballad man e You’re so great. A banda, que encarnara nos três últimos ábuns o espírito pastelão do Britpop como nenhuma outra, estava de saco cheio do que havia criado. A guerra com o Oasis pelo topo das paradas fora um desastre público e pessoal para seus integrantes: canções sobre vida em carros, orgias em ilhas gregas, adolescentes viciados em videogueimes e pais de família na idade do lobo começavam a se repetir, tornando o Blur refém de sua própria fórmula. A solução era ampliar os horizontes e fazer a autocrítica; nada melhor que assimilar alguns macetes das bandas indies americanas para sepultar de vez o monstro que se tornara o Britpop.

Do outro lado do atlântico, o Pavement tinha intenções muito parecidas: fugir do rótulo de slacker. A definição de Slacker Rock surgira em meio ao sucesso do Nirvana, sendo a relação da banda com a “instituição” Kurt Cobain paradoxal: Apesar de ser evidente a influência do grunge de Seattle no som de Slanted & Enchanted (não a principal, que de fato era o punk cacofônico do The Fall), a percepção de que a indústria procurava encontrar imitadores de Cobain, sem o mesmo background e inteligência, levou a banda a assumir desde o início o seu lado lo-fi, aliando a proposta artística bem assimilada do Sonic Youth a um grande interesse por bandas britânicas completamente desconhecidas (inclusive na Grã-Bretanha). Quanto ao modo de vestir, o slacker não era tão diferente do grunge, mas enquanto este era um doidão movido pelo álccol, aquele era um doidão movido pela maconha. Daí a identificação com o estilo Baggy do Stone Roses: tanto Ian Brown como Stephen Malkmus raramente olhavam para o público, tomados por uma espéce de transe individual, e ambos eram especialmente maconheiros. Fora o fato de que tanto Stone Roses como Pavement tinham uma forte relação com a sonoridade sessentista, uma tônica da década de 90.

Em Brighten The Corners, o Pavement assassina o Slacker Rock e se torna enfim uma banda de rock. Tudo é muito bem arranjado, os anti-solos perdem importância, Malkmus grita com mais propriedade nos refrões, o formato das músicas é essencialmente pop (verso-refrão-verso), as letras são menos surrealistas que realistas. É um som hermético, talvez o disco mais pensado da banda. Se nem sempre o mais pensado é melhor, nesse caso é difícil refutar.

Para começar, tem Stereo e Shady lane: a primeira é uma incrível combinação entre o estilo falado de Malkmus nos versos e uma melodia gritada e grudenta no refrão, e a segunda tem uma das letras mais espetaculares do fim do século (The worlds colide, but all that I need is a Shady lane). Logo após, Transport is arranged é atravessada por um teclado molhado e melódico perfeitamente encaixado com a voz de SM, uma das mais bonitas do disco. A quarta, Date with Ikea, é uma excelente composição do guitarrista Scoot Kannberg (Spiral Stairs), uma canção pop descompromissada e torta. As seguintes Old to Begin e Type Slowly trazem a maturidade de Malkmus, tanto na forma como no conteúdo: equilibradas harmônicamente, brincam com o blues, o country e descrevem impressões sutis sobre o presente e o passado. Embassy row, a sétima, começa como uma verdadeira “pala” de SM, uma mensagem codificada num fundo instrumental leve, e descamba para um excepcional rockão de letra clara e política sobre o mundo podre da diplomacia internacional. E o que dizer da faixa seguinte, Blue Hawaii, a musica que o Beck sempre quis gravar? talvez seja a melhor evidência do crescimento artístico do Pavement. O disco ainda tem We are Underused, onde Malkmus desfila toda a sua criatividade vocal; Passat Dream, mais uma composição de Kannberg; e as conclusivas Stalings of the slipstream e Fin. Em nenhum momento a obra perde sua força hipnótica; é algo construído, mas muito sensível e criativo.

A carreira do Pavement acabaria dois anos depois, logo após a turnê de divulgação do último álbum da banda, Terror Twilight, um disco que parece adiantar o vôo solo de Malkmus, antes de concluir evolutivamente os sete anos de Pavement (Kannberg achou a gravação de Terror um porre, já que teve todas as suas músicas rejeitadas por SM). Mas, verdade seja dita, é uma puta conclusão para o ciclo da banda. O Pavement é talvez a mais modelar “banda de carreira”: é impossível chegar a uma conclusão sobre Crooked rain… sem antes ouvir Slanted & Enchanted. Como também é difícil explicar porque a banda optou por voltar à sonoridade agressiva e descompromissada do começo da carreira em Wowee Zowee. Mas são belos álbuns: todos têm seu contexto e suas qualidades para além dos contextos.

abraço,

Miguel

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Minutemen: quando o indie era econo

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minutemen

Nesses dias de recesso do Watson, tive a felicidade de assitir a um documentário mais que apropriado: “We jam econo”, dirigido por Tim Irwin e produzido pela Rock Fuel Films, narra a trajetória de uma das bandas mais influentes do hardcore californiano, o Minutemen. Originalmente, Minutemen era o nome dado a uma vanguarda da Revolução Americana, o primeiro grupo organizado a fazer frente ao exército britânico durante os anos de conflito. Na primeira metade da década de 80, Dennis Boom, Mike Watt e George Hurley formariam um novo tipo de vanguarda, uma banda que iria influenciar não apenas a sonoridade de todo o independente norte-americano, mas também ajudaria a moldar a postura de enfrentamento e senso crítico que marcaria o underground da época.

Dennis Boom e Mike Watt se conheceram na pequena cidade de San Pedro, uma localidade provinciana e com poucos atrativos culturais. Boom era um grande fã de história e geopolítica, mas de rock pouco entendia; Mike Watt, por sua vez, adorava Creedance Clearwater Revival e hard rock dos anos 70. Ambos moravam em bairros da classe trabalhadora, e jamais imaginaram fazer sucesso com música. A mãe de Boom incentivou a dupla a formar uma banda para fugir da influência das gangues locais; quando perguntada como podia suportar todo aquele barulho, ela afirmava com orgulho: “pelo menos eu sei onde meu filho está”.

O hardcore californiano dava passos decisivos no início da década de 80. O pioneirismo do Black Flag era uma inspiração para muitos moleques do estado: o grupo, liderado por Henry Rollins, ex-gerente de uma loja da Hägeen Dazs que abandonou o emprego fixo para tornar-se um dos vocalistas mais agressivos da história do rock, promoveu verdadeiras revoluções na maneira de se administrar uma banda. Primeiro, montaram sua própria gravadora, A SST (Solid State Transmiters) Records. Segundo, desbravaram o país em busca de locais que permitiam apresentações de bandas punk (uma raridade naqueles anos) e ajudaram a consolidar uma verdadeira rede de casas e buracos de shows independentes. Em uma das primeiras apresentações do Black Flag com o novo vocalista, apenas duas pessoas compareceram. O baixista Chuck Dukowski, percebendo o abatimento de Rollins, procurou consolar o colega com a mais sensível das reflexões: “não importa quantas pessoas estejam no público, elas vieram assistir a um show do Black Flag e não têm culpa que os outros não vieram. Você tem que tocar o seu máximo em qualquer momento e lugar”.

Procurando diversificar seu catálogo (que até então só contava com o Black Flag), a SST Records lançou o EP de estréia do Minutemen, Paranoid Time. O impressionnte para muitos fãs e músicos da cena foi a mente aberta do próprio Black Flag ao dar oportunidade a uma banda que pouco parecia com o hardcore sujo e violento dos “bandeirantes do independente”. O som do Minutemen era absolutamente original: Boom trazia em suas linhas de guitarra o noise caracterísitco do hardcore, mas com um funkeado muito particular; Mike Watt e George Hurley não eram uma cozinha típica de rock, já que baixo e bateria procuravam acompanhar a melodia e não apenas o ritmo das composições. As letras de Boom e Watt tratavam de política, mas não de forma panfletária. Ambos estavam mais preocupados em explicar como a luta de classes e a estrutura econômica influenciavam a vida cotidiana e o sentimento de impotência social.

Em 1984, o grupo de Miniapolis Hüsker Dü lançou Zen Arcade, uma obra conceitual que abriria as portas do punk para álbuns com uma abordagem mais artística. Influenciados por Zen Arcade, Boom, Watt e Hurley trancaram-se no estúdio e depois de duas semanas já contavam com 46 músicas para um álbum duplo, que seria batizado de Double nickels on the dime. Algumas faixas desse álbum são de arrepiar: a genial “political song for Michael Jackson to sing” tornou-se um dos clássicos do Minutemen; “Maybe Partying will help” traz em sua letra o inconformismo com a mediocridade da América de Reagan; “Corona” é uma interessante balada country, que mais tarde iria ser conhecida por ser tema de abertura do programa da MTV Jackass; “History Lesson Part II” é um verdadeiro hino do independente, e seu verso mais conhecido, our band could be your life, deu nome a obra de Michael Azerrad sobre o indie americano dos anos 80.

Em um momento onde o termo indie é usado como forma de identificar o vestuário e postura de outsider dentro do próprio mainstream, é bom deixar claro que a visão de mundo de Black Flag e Minutemen nada tem a ver com o estilo de vida de Strokes ou Hives. Usar roupas sujas mas desenhadas por estilistas renomados de Nova York não é Indie. Fazer exageradas festas com modelos e atrizes também não. O termo foi desvirtuado pela própria indústria fonográfica, cuja função sempre foi se apropriar da espontaneidade e transformá-la em padrão. A história do Minutemen é apenas um dos vários exemplos de uma época onde ser Indie era procurar a sinceridade tanto na música como na forma de viver a vida. No caso da banda de San Pedro, o tal do Indie tinha outro nome: Econo, uma abreviação para economical, que traduzia a própria postura do Minutemen em relação aos shows, gravações, entrevistas e a cena como um todo. O importante era aliar discurso com humildade, senso crítico com espírito público. Quando afirmavam que a banda deles podia ser sua vida, Boom, Watt e Hurley estavam incentivando as pessoas comuns a se expressarem como verdadeiros artistas e a tomarem consciência do mundo em que viviam.

Boom perdeu a vida em um acidente de carro em 85. A amizade entre Watt e o gordinho genial era a base de criatividade e sobrevivência do Minutemen, e sua morte ainda é um tema muito delicado para o baixista. Diferentemente de vários grupos, contemporâneos ou não, o Minutemen rejeitava o estrelismo e a arrogância, e tinha como missão o próprio desenvolvimento da cena. Queria, acima de tudo, fazer sua própria arte e incentivar outros garotos e garotas a formarem suas próprias bandas.

abraço,

Miguel

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Jack is Back

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watson na unb

Quarta-feira, 18 de setembro, parecia ser apenas outro dia qualquer de seca e rotina. Não se imaginava que nesse mesmo dia São Pedro iria dar o ar de sua graça. Enquanto esperávamos por notícias médicas na frente do Hospital de Base, sentimos as primeiras gotas de setembro sobre nossas cabeças. Tudo indicava para os envolvidos um repentino anúncio de mudança.

Para melhor ou pior, não se sabia. Sabia-se do acidente, produto de uma sucessão inescapável de eventos sinistros: Por volta das 17h, um ônibus da Viva Brasília deixava o terminal do Paranoá rumo a Rodoviária do Plano Piloto; jack, que acabara de falar comigo por telefone, dirigia seu glorioso Ford KA preto - passado de irmão para irmão, de Gabriel para Jack, de Bois de Gerião para Watson - rumo a casa de Gustavo Bill, na QL 28 do Lago sul. Duas rodas do ônibus se desprenderam no acesso à ponte JK, no mesmo momento em que nosso baterista se preparava para fazer a tesourinha. Uma das rodas atingiu a lateral de uma S10; a outra, o teto do Ford Ka, justamente na altura do banco do motorista.

As primeiras notícias do acidente, publicadas com destaque nos portais do Jornal de Brasília e Correio Braziliense, eram assutadoras. Quando chegamos ao hospital, ficamos mais tranquilos com as primeiras previsões médicas: ao que parecia, o traumatismo era pequeno, e procedimentos cirúrgicos não seriam necessários. Acordamos no dia seguinte com notícias bem menos agradáveis: jack passara por uma cirugia na madrugada, estava em coma induzido e teria de ser transferido para uma UTI.

Jack foi internado no Hospital de Brasília, e passou 72 horas em coma induzido. Durante esse período, caravanas de amigos e parentes formaram uma belíssima corrente no saguão do hospital, uma mistura entre impotência compartilhada e fé na medicina, no jack e, para alguns, em Deus. Esperamos. E a espera, angustiante que foi, acabou recompensada pela velocidade da recuperação de nosso amigo.

Em poucos dias, Jack já fazia as piadas de sempre. Com um suporte no pescoço - para evitar movimentos bruscos e uma possível piora na leve fratura da coluna -, um olho esquerdo inchado e o cansaço estampado no rosto, ele reclamava de dores de cabeça e do absurdo do acidente, mas sem nunca perder a esportiva. Lembrava de tudo e de todos, e com o passar dos dias foi compreendendo a sorte por trás do azar. Sobrevivera ao mais absurdo dos eventos, e o melhor, sem sequelas graves.

Jack já está em casa. Já está comendo macarronadas com azeite. Já fala do futuro da banda conosco. Já planeja o seu protesto público. Já está sorrindo mais que reclamando. A banda Watson, eu, Filipe, Adriano e Jack, consideramo-nos amigos para além das afinidades musicais: ter uma banda é só uma das mil atividades que um grupo de amigos pode empreender para celebrar sua união. O jack não é apenas um baterista, é um ser humano imprescindível.

e a chuva, que agora cai aos montes na nossa surrada terrinha de negligências políticas e sociais, onde a força policial aumenta e os serviços públicos de saúde e transporte se deterioram, a chuva é a metáfora desses novos dias. Dias de relevar o que deve ser relevado, de abraçar as consequências da vida com coragem. Ao jack, que foi corajoso e teimoso o suficiente para sobreviver, só temos a agradecer. Aos que se sensibilizaram diante da situação e vieram nos confortar, também.

abraços,

Miguel

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Toda estrela é um remédio

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Ao jack.

Toda estrela é um remédio
Um sinal de pouso na antena em cima do prédio
Toda cidade já espera acordada num
tom de lembrança que espanta meu tédio
toda estrela é um remédio

vidas se encontram no acaso
e no meu e seu casos é tudo conversa fiada
pode esperar pelo abraço que toda
porrada é materia de humor pro palhaço

e que se foda o debate
de quem é melhor ou pior do que alguém ou ninguém
hoje os cachorros não latem

e eu já sinto saudade
de dar o meu braço a torcer num momento mais calmo
hoje os cachorros não latem

Miguel

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David Foster Wallace, escritor americano, morre aos 46 anos

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foto NYT

(Estou escrevendo este post a pedido do Miguel, visto que DFW era meu escritor vivo favorito, ainda pouco conhecido no Brasil)

A primeira coisa que li sobre este autor exaltava seu talento, demonstrado pela ambição de sua mais notável obra, o romance Infinite Jest, de 1996. Se você ainda não leu este livro, não perca mais tempo, encomende sua cópia. É meu romance favorito, diria se a preguiça já tivesse permitido ler toda a lista acumulada aqui na estante. Digo, então, que é o romance que mais me impressionou. É dele que falarei aqui, apesar das várias outras coisas que DFW escreveu.

Por tantos motivos… múltiplos motivos e atributos, concentrados em mais de 1000 páginas (das quais umas 200 são notas de rodapé), em diversos personagens, cenas, narrativas. Tomará algum tempo, mas de forma alguma será tempo desperdiçado.  Tanto que ele consegue, he pulls it off, faz com que você leia todas elas, utilizando um marcador para a história e outro para as notas (esta é a primeira dica que os veteranos de IJ dão); o livro é mesmo tão bom que, logo você lê sua última página, torna a consultar a primeira (primeira provocação dos referidos veteranos).

Sua qualidade que mais gosto de falar pros outros é a capacidade de amarrar tanto material num livro, tantos temas e referências e técnicas, constituindo o hipertexto mesmo como estilo. Você logo percebe que o texto é tão fluente, tão auto-ciente, que as centenas de notas de rodapé do apêndice não são somente necessárias, mas devidas! Que a obra de uma autor de tanto engenho deve, mesmo, transbordar, que sua forma não lhe basta, é extrapolada pelo virtuosismo com que é narrada. E por que tanto sofrimento, esse calvário, pra que escrever (ou ler) esse treco de milpágina? Pra provar um ponto.

Que a literatura ainda (então no século XX, já era do vídeo) é relevante, que é possível e urgente as pessoas encontrarem uma experiência sincera sobre sentimentos verdadeiros que lhes dizem respeito, numa mídia que não lhes menospreza a inteligência. Que a recompensa está no desafio de pensar, ajustar-se ao outro. Também, que de tão exibido seu autor, tendo motivando a leitura do calhamaço com paródias, humor, wit, conta afinal uma história muito triste, de tragédias e injustiças de arrancar lágrimas, povoado por personagens cativantes embora emocionalmente retardados.

O livro, que fala de tênis, cinema, física, terroristas (…), trata sobretudo das escolhas que fazemos sobre como nos entreter, sobre vícios e deficiências, num mundo frenético, imperialista — e relacionamentos humanos, apesar de tudo. Temos, entre os vários personagens, dois que mais se aproximam de protagonistas (e se tornaram queridos no coração de muitos leitores-de-livros): Hal Incandenza, um jovem brilhante e atormentado, prodígio do tênis e da lexicografia, estudante de um internato/academia-de-tênis construído por seu pai, James O. Incandenza; Don Gately, um brutamontes de bom coração, recuperando-se de seu vício em narcóticos/vida criminosa numa casa de reabilitação. O título, Infinite Jest (um trocadilho e uma citação de Hamlet), também é o nome de um filme dentro da história, dirigido pelo pai de Hal; uma vez que se assiste à fita, não se quer mais nada, só assistir até a morte, no repeat.

Que mais dizer? Tentei fazer do suicídio do Wallace (revoltante, desesperador, nunca (em vida) trocarei uma idéia com ele) um post aqui que instigasse curiosidade pela obra, somente, que tenho certeza, basta por si, torcendo pra que não a leiam com o fantasma do cara pairando. Se há um fantasma ali, plotted, pra qual o livro é mapa, arrisco dizer que seria o James Incandenza. Pra quem já leu, creio que esta idéia ressoa na cabeça de forma mórbida? Pensava no Wallace se vendo mais ali no Hal, gênio sem expressão, não a coisa do autor interpretado em sua ausência, suicida, sombra…

Fica em paz, Dave Wallace, tuas carpideiras já te choram em hipertexto =~

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Mais links

http://harpers.org/archive/2008/09/hbc-90003557 - artigos publicados na Harper’s Magazine, que disponibilizou-os todos em .pdf

http://www.theatlantic.com/doc/200504/wallace -”Host”, sobre um radialista

www.newyorker.com/fiction/features/2007/02/05/070205fi_fiction_wallace - “Good People”, conto na New Yorker

www.rollingstone.com/politics/story/18420304/the_weasel_twelve_monkeys_and_the_shrub - quando a Rolling Stone americana o botou pra acompanhar a campanha eleitoral do McCain em 2000

. Adriano

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Jarvis

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jarvis

Jarvis Cocker é um cara massa. tão massa como Robert Pollard, Stephen Malkmus e Damon Albarn. São quatro exemplos de como envelhecer sem fazer música envelhecida. Em uma época de vários revivals de mau-gosto, como é bom saber que algumas das melhores cabeças musicais do anos 90 continuam a ser referência para o que há de melhor no rock e pop: letras “de verdade”, que surgem das sutilezas, acompanhando o amadurecimento dos artistas; incursões em novas sonoridades e tecnologias, sem deixar de lado o poder de uma jam band, de guitarras ganchudas, de um baixo pulsante e o tradicional 4/4. Alguém tinha comentado comigo esse ano “cara, o cd solo do jarvis coker é bem legal, já ouviu?” Baixei, ouvi. Simplesmente duca.

Jarvis Cocker era vocalista do Pulp, uma banda que chegou a colocar timidamente seu focinho no duelo de Oasis e Blur pelo topo das paradas britânicas. Jarvis e seus companheiros atravessaram gerações para enfim sentirem o gosto do sucesso: a banda já tinha doze anos de estrada quando lançou Different Class, que trazia entre suas faixas common people, Disco 2000 e uma série de outras poderosas narrativas que descortinavam de forma sensível a decadência dos valores da classe-média britânica. Talvez pela maior, digamos, “maturidade” de seu compositor, o Pulp oferecia uma poesia bem distinta no cenário do britpop: longe da beatlemania descarada de Liam e Noel Gallagher, Jarvis poderia ser reconhecido como uma versão mais intelectualizada de Damon Albarn, que também trazia em suas letras a americanização da classe-média britânica, porém de forma mais radical, ácida e juvenil.

O gosto do sucesso, abastecido por noitadas de álcool e drogas, foi doce-amargo para Jarvis. Em recente entrevista a picthfork tv, o cantor e compositor explicou o seu problema com a fama daquele dias: “minhas canções são baseadas em observações, eu gosto de assitir, basicamente. E eu não podia mais observar nada, pois todos estavam me observando.” This is Hardcore, o sucessor de different class, é uma obra sombria sobre o próprio Jarvis e sua depressão pós-fama. Apenas em We love life o compositor voltou a trazer as canções-narrativas que haviam o consagrado, mas sem deixar de lado o egocentrismo do álbum anterior.

Longe dos holofotes, Jarvis voltou a fazer o que ele sabe melhor. Está velho, é verdade, mas sua poesia está mais cativante e criativa do que nunca. O álbum solo de 2006, Jarvis, é um apanhado de imagens cruas do novo século sob o olhar de um veterano em paz consigo mesmo. Fat children é uma excelente canção sobre bullys e crianças simbolicamente abandonadas por seus pais; Big Julie, apesar de tratar do mesmo tema, evoca a imagem de uma garota esperta e solitária ralando para sobreviver em uma cidadezinha que não a entende; Disney Time ridiculariza hollywood e a felicidade embalada; Tonite é um hino à vida noturna cotidiana. Já não bastasse as letras extremamente atuais, o disco passeia livremente pelas raízes do britpop e ganha contornos de obra cult ao fazer um empolgante revezamento entre o pop, o rock, arranjos de música clássica e pianos à Cat Power.

Quando entrevistado, Jarvis é ele mesmo. Com seus quarenta anos, é uma força criativa e lúcida. Um modelo de envelhecimento bem resolvido.

abs,

Miguel

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